Paraíba
Casa rural na Paraíba. 1820. Gravura. Autor desconhecido (a partir de desenho de Príncipe von Wied-Neuwied Maximilian). Gravado por W. Read. W. Impresso por Sir Richard Phillips & Co. Acervo do Instituto Moreira Salles. Domínio Público.
Desde o processo revolucionário de 1817 que havia intensa comunicação entre os liberais radicais e maçons de Pernambuco e Paraíba. As redes maçônicas interligavam as províncias propagando o ideário iluminista e repercutindo mutuamente as ações insurgentes. Não foi diferente em 1824. Um indicativo que os propósitos revolucionários tinham grande aceitação na Paraíba são as manifestações de leitores e leitoras do jornal de Cipriano Barata nas cartas que o liberal baiano reproduzia nas páginas do Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco.
A Independência na Paraíba foi marcada por disputas acirradas durante o período das juntas. A volta dos deputados após o golpe de Dom Pedro agravou essa disputa. Cidadãos portugueses foram presos e expulsos da província, no início de 1824. O presidente escolhido pelo imperador, Felipe Nery Ferreira, não foi bem recepcionado na Paraíba. Acusado de “lusitanismo”, conseguiu manter o controle apenas da capital da província. Em 3 de abril, a Câmara da Vila de Brejo de Areia rechaçou o presidente nomeado. O mesmo aconteceu nas câmaras de Vila Nova da Rainha (Campina Grande), Pilar, S. João do Cariri e Mamanguape. Em 5 de maio de 1824 a Câmara de Areias elegeu Félix Antônio Ferreira de Albuquerque como presidente temporário, sendo seguida por outras câmaras do interior.
As duas facções terminaram se enfrentando no dia 24 de maio de 1824, em uma grande batalha no Riacho das Pedras (Itabaiana), com vitória parcial dos rebeldes liderados por Félix Antônio Ferreira de Albuquerque, que iria aderir à Confederação do Equador. Frei Caneca relatou detalhadamente o que ocorreu nessa batalha na edição de 3 de junho de 1824 do seu jornal Typhis Pernambucano. 113 pessoas morreram em Riacho das Pedras, sendo 90 delas das tropas aliadas ao imperador, o que torna esse enfrentamento um dos maiores, senão o maior do ano de 1824.
Em 23 de julho de 1824, representantes da Paraíba e de Pernambuco se reuniram na localidade de Feira Velha (Pedras de Fogo, PB) para definir uma estratégia militar comum para a Confederação. Em setembro desembarcaram na Paraíba as tropas imperiais, bem armadas e municiadas, mudando o jogo. Derrotados os revolucionários da Paraíba bateram em retirada, unindo-se aos de Pernambuco, já derrotados no Recife e Olinda. Juntos marcharam rumo ao Ceará, onde pensavam em retomar a resistência, conforme narra o Itinerário de frei Caneca. Essa retirada foi comandada por Félix Antônio Ferreira de Albuquerque.