A repressão
Combate entre rebeldes e legalistas na luta dos Afogados. Aquarela. Leandro Martins. 1824.
Acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
A Confederação do Equador terminou de forma sangrenta. Centenas morreram em combate ou foram encarcerados. Os cativos encontrados com armas foram brutalmente espancados. Antes mesmo de tomar conhecimento da proclamação da Confederação, o imperador iniciou suas medidas de retaliação. Em 7 de julho de 1824 um decreto imperial desmembrou do território de Pernambuco a comarca do São Francisco, que correspondia a mais da metade da área da província. A comarca foi anexada provisoriamente à província de Minas Gerais e, três meses depois, passou para a jurisdição da Bahia. Ainda no mês de julho, no dia 26, um decreto imperial mandava processar sumariamente todos os chefes e cabeças da Confederação do Equador. Outro decreto da mesma data suspendeu as garantias constitucionais do artigo 179, VIII para os habitantes das províncias conflagradas. No dia seguinte, um terceiro decreto criou uma comissão militar, sob a presidência do brigadeiro Francisco de Lima e Silva, para processar verbal e sumariamente os líderes da Confederação.
As últimas tropas confederadas se renderam em 29 de novembro de 1824. Os principais líderes, entre eles frei Caneca, Félix Antônio Ferreira de Albuquerque, José Pereira Filgueiras, Emiliano Felipe Benício Mundrucu, Agostinho Bezerra Cavalcanti e João Soares Lisboa, entre outros, foram aprisionados e enviados expressamente para o Recife, onde os aguardava a Comissão Militar. Outras lideranças de destaque já haviam sido presas, tais como João Guilherme Ratcliff, João Metrovich e Joaquim da Silva Loureiro, que foram enviados por Manuel de Carvalho para o litoral de Alagoas comandando a pequena esquadra confederada. Houve também quem tivesse sido simplesmente assassinado pelos aliados do imperador, como foi o caso de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, presidente confederado do Ceará, morto com requintes de crueldade nas proximidades de Icó.
30 pessoas foram condenadas à pena máxima e 16 foram executadas no Recife, Fortaleza e Rio de Janeiro. Nem os sacerdotes foram poupados: frei Caneca e o padre Mororó estão entre os que foram executados pela inflexível repressão. No Recife, vários representantes do clero pediram, em vão, clemência ao imperador para frei Caneca. O imperador também não concedeu clemência ao pedido do corpo do comércio do Recife, que intercedeu em favor de Agostinho Bezerra, que havia impedido que o Recife fosse saqueado em junho de 1824. Outros revolucionários precisaram se exilar. Um deles, ao menos, o poeta Natividade Saldanha, um veterano de 1817, nunca mais voltou.
Lista dos líderes e participantes da Confederação do Equador executados
No Recife
Frei Caneca (13/01/1825)
Lázaro de Souza Fontes (20/01/1825)
Antônio Macário de Moraes (03/02/1825)
Agostinho Bezerra Cavalcanti (21/03/1825)
Antônio do Monte Oliveira (12/04/1825)
James Heide Rodgers, cidadão norte-americano (12/04/1825)
Nicolau Martins Pereira “Carne-viva”, da Paraíba (12/04/1825)
Francisco Antônio Fragoso (19/05/1825)
Em Fortaleza
Padre Mororó (30/04/1825)
João de Andrade Pessoa Anta (30/04/1825)
Francisco Miguel Pereira Ibiapina (07/05/1825)
Luís Inácio de Azevedo Bolão (19/05/1825)
Feliciano José da Silva Carapina (28/05/1825)
No Rio de Janeiro
João Guilherme Ratcliff, cidadão luso-polonês (17/03/1825)
João Metrovitch, cidadão maltês (17/03/1825)
Joaquim da Silva Loureiro (17/03/1825)