Pesquisa Nacional de ViolĂȘncia contra a Mulher 2025
Introdução
ââ O Instituto de Pesquisa DataSenado, em parceria com o ObservatĂłrio da Mulher contra a ViolĂȘncia, lançou a 11ÂȘ edição da Pesquisa Nacional de ViolĂȘncia contra a Mulher. A pesquisa bienal acompanha a percepção das mulheres brasileiras sobre a violĂȘncia domĂ©stica e familiar hĂĄ 20 anos, desde 2005. Naquele ano, a primeira edição do levantamento serviu de subsĂdio para a formulação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, marco no combate Ă violĂȘncia contra a mulher no Brasil e referĂȘncia mundial. Essa tambĂ©m foi a primeira pesquisa realizada pelo DataSenado. Desde entĂŁo, o Instituto entrevistou mais de 4,7 milhĂ”es de cidadĂŁos por meio de mais de 500 pesquisas sobre temas diversos, como apoio Ă democracia, demandas da população para o parlamento, direitos das pessoas idosas e impacto de notĂcias falsas.
ââ Ao longo de duas dĂ©cadas, a pesquisa sobre violĂȘncia contra a mulher evoluiu para captar nĂŁo apenas a percepção, mas tambĂ©m a vivĂȘncia das mulheres brasileiras, refletindo mudanças sociais e polĂticas. Temas como raça, gĂȘnero e tecnologia foram incorporados, assim como maior atenção Ă rede de proteção e aos recursos disponĂveis para combater a violĂȘncia, como as Medidas Protetivas de UrgĂȘncia. AtĂ© hoje, a pesquisa jĂĄ entrevistou 56.085 mulheres, tornando-se a maior e mais longa sĂ©rie histĂłrica sobre o tema no Brasil.
Método
ââA edição de 2025 da pesquisa realizou entrevistas telefĂŽnicas com 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o territĂłrio nacional, entre os dias 16 de maio e 8 de julho de 2025.
ââAs amostras do DataSenado sĂŁo totalmente probabilĂsticas. Nas entrevistas, sĂŁo feitas perguntas que permitem estimar a margem de erro para cada um dos resultados aqui divulgados, calculados com nĂvel de confiança de 95%. Dessa forma, nĂŁo existe uma Ășnica margem de erro para toda a pesquisa, aproximação usual em pesquisas que nĂŁo sĂŁo totalmente probabilĂsticas. As entrevistas foram realizadas por meio de ligaçÔes para telefones fixos e mĂłveis, com alocação uniforme por estados e Distrito Federal. Para melhor compreensĂŁo, vide MĂ©todo da Pesquisa.
1 RegiĂŁo Norte
1.1 Resultados do Acre
ââA 11ÂȘ edição da Pesquisa Nacional de ViolĂȘncia contra a Mulher entrevistou 799 mulheres de 16 anos ou mais no Acre (AC). Estimou-se que 33% sofreram violĂȘncia domĂ©stica ou familiar em algum momento da vida e 12% delas declararam ter sofrido violĂȘncia nos Ășltimos 12 meses. A denĂșncia (em delegacia comum ou delegacia da Mulher) foi feita por 42% delas.
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ââA maioria das mulheres no AC, 43%, indicam que o lugar onde se sentem menos respeitadas Ă© na rua. Para 27%, o menor respeito ocorre no trabalho. PrĂłximo da mĂ©dia nacional, 78% das acreanas percebem que a violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra as mulheres aumentou. Estatisticamente igual, quando comparada com o Brasil, a estimativa Ă© que 21% das mulheres do AC conhecem muito a Lei Maria da Penha.
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ââPara as mulheres que sofreram algum tipo de violĂȘncia (33% das respondentes) ao longo da vida, 25% moram ou convivem com quem a agrediu. AlĂ©m disso, a maioria dos agressores (73%) foram identificados como marido/companheiro, valor significativamente maior que no Brasil, que registrou prevalĂȘncia de 62%.
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ââDentre as mulheres entrevistadas, 799 residiam no Acre, representando uma população estimada de 317.600 pessoas. NĂŁo obstante, considerando todas as estimativas para tabelas simples, sem cruzamentos, tem-se que, em mĂ©dia, a margem de erro observada nas estimativas do Acre foi de 2,51%, com desvio padrĂŁo de 1,8%.
ââPara acessar as tabelas que comparam as estimativas do Acre, da RegiĂŁo Norte e do Brasil, bem como suas respectivas margens de erro, vide relatĂłrio completo aqui.
1.1.1 Percepção geral da violĂȘncia contra as mulheres acrianas
ââ Para 47% das acrianas, as mulheres nĂŁo sĂŁo tratadas com respeito no Brasil e, para a maioria, Ă© na rua que sĂŁo menos respeitadas.
ââ O Brasil Ă© um paĂs machista para 69% das mulheres do Acre, e 78% percebem aumento na violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra mulheres.
ââ As acrianas, em sua maioria, conhecem pouco sobre a Lei Maria da Penha, e 62% acreditam que mulheres agredidas denunciam a agressĂŁo na minoria das vezes.
ââ Entre as mulheres do Acre, 30% acreditam que a Lei Maria da Penha as protege.
ââ Dos serviços de proteção, o que mais se ouviu falar pelas acrianas foi âDefensoria PĂșblicaâ, com citação de 95%.
ââ O conceito de medida protetiva Ă© pouco ou nada conhecido por 84% das acrianas.
ââ No Acre, 71% das mulheres conhecem alguĂ©m prĂłxima que jĂĄ sofreu violĂȘncia domĂ©stica ou familiar.
1.1.2 ViolĂȘncia Vivida
ââ AlĂ©m da prevalĂȘncia da violĂȘncia domĂ©stica, o estudo buscou identificar a violĂȘncia de autoria masculina. No Acre, os dados revelam que 33% da população feminina declarou ter sofrido agressĂŁo por parte de um homem, sendo este o perfil de autoria mais frequente nos relatos de violĂȘncia mais grave.
ââ Quando questionadas sobre como a violĂȘncia afetou suas vidas, 73% dizem que foi âSeu convĂvio com outras pessoasâ a ĂĄrea mais afetada.