Sumário
Sumário Relatório PDF

Panorama Político 2024 - Principais preocupações dos brasileiros

O Instituto de Pesquisa DataSenado realizou a 21ª edição de sua pesquisa nacional, que tem série histórica aplicada desde 2008, tendo entrevistado mais de 55 mil cidadãos ao longo dos anos.

Esta edição do Panorama Político , comemorativa dos 20 anos do Instituto DataSenado, representa um marco importante, pois é a primeira a realizar estimativas por unidade da Federação, reforçando a representação parlamentar federativa do Senado Federal.

A pesquisa avalia a opinião dos brasileiros para indicar possíveis prioridades para a atuação parlamentar e quantificar percepções em relação a: democracia brasileira; desempenho do parlamento; principais temas em debate no país; principais preocupações dos brasileiros , tema deste relatório.

O objetivo é subsidiar comissões e parlamentares com dados objetivos e representativos da opinião dos brasileiros, neste momento em que novos desafios se impõem ao Congresso Nacional.

A pesquisa foi realizada entre 5 e 28 de junho, quando foram entrevistados, por telefone, 21.808 cidadãos, em amostra representativa da opinião da população brasileira, ou seja, de quase 170 milhões de pessoas (169.840.184) com 16 anos ou mais.

Método

As amostras do DataSenado são totalmente probabilísticas. Nas entrevistas, são feitas perguntas que permitem estimar a margem de erro para cada um dos resultados divulgados, calculados com nível de confiança de 95%. Dessa forma, não existe uma única margem de erro para toda a pesquisa, aproximação usual em pesquisas que não são totalmente probabilísticas. No entanto, para os dados nacionais, a margem de erro média observada para as respostas, sem considerar os cruzamentos, foi de 1,22 pontos percentuais, com desvio-padrão de 1,37 pontos percentuais. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis.

Para uma descrição detalhada da metodologia utilizada, vide Método da Pesquisa .

Introdução

As principais preocupações dos brasileiros configuram-se como objeto de estudo central para qualquer órgão público, nos três Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) e três esferas de governo (federal, estadual, municipal). Estão, portanto, na ordem do dia do Congresso Nacional, arena por excelência onde o debate público acontece. Para subsidiar o parlamento brasileiro, foi dado destaque a este tema na 21ª edição do Panorama Político, que celebra os 20 anos do Instituto de Pesquisa DataSenado .

O presente relatório abarca 2 grandes eixos: 1) percepção dos brasileiros sobre a condição econômica atual e as expectativas para o futuro; 2) e suas principais preocupações atuais. No segundo eixo, são apresentadas como principais preocupações: corrupção; custo de vida; educação; emprego; saúde; segurança pública. Dada a epidemia de dengue atravessada pelo Brasil no ano de 2024, foi dado especial destaque ao tratar do tema “saúde”. Na área da segurança pública, a pesquisa investigou problemas como “tráfico e uso de drogas”, “roubos e assaltos”, existência de “organizações criminosas”, “crimes com armas de fogo” e “presença de milícias”. Os respondentes são questionados também sobre suas vivências pessoais de violência urbana. Por fim, é apresentado um perfil da amostra de respondentes que, por ser totalmente probabilística, reflete com precisão as características da própria população brasileira.

Como se vê, trata-se de estudo bastante abrangente, que revela um conjunto de pensamentos, valores e atitudes que perpassam o dia a dia da população brasileira; uma bússola ou termômetro do estado de espírito dos brasileiros – se for assim possível se expressar –, em dado momento do tempo. O estudo não se esgota aqui, mas serve necessariamente como porta de entrada para qualquer política pública isenta e comprometida com a vida real da população.

Sumário executivo

Em relação às condições econômicas atuais e futuras, o brasileiro médio não tem percebido mudança significativa em sua situação econômica nos últimos 6 meses (40%), mas acredita que essa situação vai mudar para melhor (44%).

A principal preocupação da população, hoje, é com a saúde (29%), seguida pelo custo de vida e pela corrupção (ambos com 16%), e segurança pública (15%). As menores preocupações são com educação e emprego (ambos com 10%). Como esperado, a preocupação com a saúde depende de uma série de variáveis demográficas como: ser beneficiário de algum plano de saúde; sexo; idade; escolaridade; renda. Desta feita, as pessoas que se preocupam mais com saúde: não contam com a cobertura de um plano de saúde; são mulheres; pessoas mais velhas; com menor escolaridade e renda. Em 2024, o Brasil viveu uma epidemia de dengue. Na época da pesquisa, 13% dos brasileiros relataram ter contraído dengue nos últimos 12 meses.

Em relação à segurança pública, a principal preocupação dos brasileiros é com o tráfico e uso de drogas (37%), seguida por roubos e assaltos (30%). Em menor proporção, figuram o crime organizado (10%), crimes com armas de fogo (7%) e presença de milícias (apenas 3%). Como esperado, esses percentuais variam por unidade da Federação. Por exemplo, em Minas Gerais (MG) o uso e tráfico de drogas é apontado como o principal problema de segurança pública para quase metade da população (49%), opinião que é compartilhada por “apenas” 22% dos cariocas. Por outro lado, a presença de milícias é apontada como o principal problema de segurança pública para 11% dos residentes do estado do Rio de Janeiro, mas apenas 1% dos catarinenses têm idêntica opinião. Quando os participantes são confrontados com os tipos de violência urbana que sofreram, 14% respondem ter sido roubados nos últimos 12 meses, e 12% tiveram seus bens materiais destruídos por outras pessoas.

Quanto à variabilidade das principais preocupações da população brasileira, por região ou município, o que se vê é que alguns temas são mais homogêneos, ou seja, variam pouco independentemente da geografia, porém outros são mais heterogêneos (têm grande variação). Desta feita, saúde e educação são temas relativamente homogêneos, ao passo que corrupção, emprego e segurança pública têm grande variação.

Em suma, pode-se afirmar que o brasileiro tem observado pouco avanço em sua situação econômica, apesar de ser otimista quanto ao futuro. Sua maior preocupação, no entanto, é com suas condições de saúde, ainda que não a única. O esperado envelhecimento da população brasileira tende a acentuar este quadro cada vez mais. Pelos dados observados, o que se pode inferir é que, a forma de reverter esse quadro, para além da oferta de melhor acesso à e maior racionalização das intervenções de saúde, passa por aumento da escolaridade e da renda da população brasileira.

1. Condição econômica e expectativas com o futuro

Neste primeiro bloco avaliamos as condições econômicas dos brasileiros nos últimos seis (6) meses e as suas expectativas para os próximos seis (6) meses.

1.1 Quase dois terços acreditam que sua condição econômica permaneceu igual ou melhorou

Quase dois terços (63% ou 106.310.581 pessoas) dos cidadãos brasileiros acreditam que sua condição econômica permaneceu igual ou melhorou nos últimos seis (6) meses, enquanto o terço restante (36% ou 61.513.636) diz ter piorado.

Gráfico 1

1.2 Brasileiros estão mais otimistas com a melhora da sua condição econômica

Quando os brasileiros foram perguntados se a condição econômica deles iria “Melhorar”, “Permanecer igual” ou “Piorar” nos próximos seis (6) meses, 40% (67.502.196 pessoas) acreditam que irá melhorar, 32% (55.134.553) que irá permanecer igual e apenas 21% (34.833.698) acredita que irá piorar.

Gráfico 2

1.3 Norte e Nordeste são as regiões mais otimistas com o futuro econômico

Entre os que consideram que a situação econômica irá melhorar nos próximo seis (6) meses, apenas as regiões Norte e Nordeste podem ser consideradas mais otimistas que o resto do Brasil, visto serem as únicas que superam a estimativa nacional, consideradas as margens de erro. Apenas a região Norte supera todas as demais regiões. A região Nordeste, por sua vez, supera as regiões Sudeste e Sul.

Gráfico 3

2. Avaliação da maior preocupação dos brasileiros

Neste bloco foram investigadas as maiores preocupações dos brasileiros e seus cruzamentos com outras variáveis demográficas ou perfis populacionais.

2.1 Saúde é a principal preocupação dos brasileiros

Quando questionados sobre “qual a sua maior preocupação hoje” quase um terço (29% ou 48.867.168 pessoas) dos brasileiros indica a Saúde como principal preocupação . Custo de vida (16% ou 27.333.072), Corrupção (16% ou 27.187.112) e Segurança pública (15% ou 25.658.770) ficam empatados como segunda principal preocupação. Educação (10% ou 17.085.595) e Emprego (10% ou 16.743.705) figuram empatados na terceira posição.

Gráfico 4

2.2 Não ter plano de saúde aumenta a preocupação com a saúde

Apenas 27% dos brasileiros (45.544.700 pessoas) dizem ter plano de saúde particular. Este fato tem grande impacto sobre a preocupação com a saúde, visto que, entre os 73% (123.660.603) que não têm plano de saúde particular, 80% apontam saúde como a principal preocupação, enquanto entre os que possuem plano de saúde, esse percentual é de apenas 19%.

Gráfico 5

Gráfico 6

2.3 Mulheres se preocupam mais com a saúde do que homens

Preocupar-se com a saúde depende também do gênero. Enquanto 36% das mulheres têm “saúde” como principal preocupação, 21% dos homens compartilham desta opinião. Por outro lado, outros 21% dos homens apontam a “corrupção” como sua principal preocupação, percentual que cai para apenas 12% entre as mulheres.

Também se nota diferença – menor, se consideradas as margens de erro – em relação ao tema “segurança pública”. 17% dos homens veem na segurança pública a principal preocupação, contra 13% nas mulheres. Nas demais dimensões, as proporções se equivalem, se consideradas as margens de erro.

Tabela 74: "Qual a sua maior preocupação hoje?" por sexo - Brasil - 2024

Estimativa (± margem de erro)

Masculino

Feminino

Brasil

Saúde

21% (±1,6%)

36% (±2,2%)

29% (±1,3%)

Custo de vida

16% (±1,6%)

16% (±1,8%)

16% (±1,2%)

Corrupção

21% (±1,6%)

12% (±1,6%)

16% (±1,1%)

Segurança pública

17% (±1,7%)

13% (±1,5%)

15% (±1,1%)

Educação

9% (±1,4%)

11% (±1,2%)

10% (±0,9%)

Emprego

10% (±1,5%)

9% (±1,2%)

10% (±1,0%)

Outro

3% (±0,8%)

1% (±0,4%)

2% (±0,4%)

Não sei/Prefiro não responder

2% (±0,8%)

2% (±0,8%)

2% (±0,6%)

Total

100%

100%

100%

Amostra Observada

11.815

9.993

21.808

Amostra Ponderada

10.522

11.286

21.809

População Estimada

81.941.735

87.898.449

169.840.184

Fonte: Instituto de Pesquisa DataSenado - coleta de 5 a 28.6.2024.
Notas:
(1) Soma dos percentuais difere de 100% devido ao arredondamento.
(2) Diferenças entre totais estimados, para o Brasil, ocorrem devido ao arredondamento.

2.4 Jovens se preocupam mais com Custo de vida, Emprego e Educação que pessoas idosas

A preocupação com a saúde também aumenta com o passar da idade: 21% dos jovens (16 a 29 anos de idade) a têm como principal preocupação, proporção que aumenta para 35% entre os idosos (60 anos ou mais). Jovens encontram-se igualmente preocupados com o custo de vida (21%), o que acontece com apenas 12% entre as pessoas com 60 anos de idade ou mais.

Jovens também estão bastante preocupados com emprego (18%) e educação (15%), percentuais que atingem apenas 3% e 6% entre os idosos, respectivamente.

Depois de saúde, os percentuais com as maiores taxas de principal preocupação entre os idosos são segurança pública (19%) e corrupção (19%), percentuais que alcançam 13% e 10% das pessoas entre 16 e 29 anos, respectivamente.

Tabela 75: "Qual a sua maior preocupação hoje?" por faixa etária - Brasil - 2024

Estimativa (± margem de erro)

De 16 a 29 anos

De 30 a 39 anos

De 40 a 49 anos

De 50 a 59 anos

60 anos ou mais

Brasil

Saúde

21% (±2,6%)

29% (±3,1%)

31% (±3,2%)

30% (±3,1%)

35% (±3,5%)

29% (±1,3%)

Custo de vida

21% (±2,8%)

17% (±2,5%)

15% (±2,2%)

13% (±2,8%)

12% (±2,4%)

16% (±1,2%)

Corrupção

10% (±1,6%)

16% (±2,2%)

19% (±3,2%)

19% (±3,3%)

19% (±2,8%)

16% (±1,1%)

Segurança pública

13% (±2,0%)

15% (±2,4%)

15% (±2,3%)

16% (±2,5%)

19% (±3,3%)

15% (±1,1%)

Educação

15% (±2,3%)

10% (±1,8%)

9% (±1,8%)

8% (±2,6%)

6% (±1,6%)

10% (±0,9%)

Emprego

18% (±2,8%)

10% (±2,0%)

8% (±1,7%)

7% (±1,9%)

3% (±1,1%)

10% (±1,0%)

Outro

1% (±0,5%)

1% (±0,4%)

2% (±0,9%)

4% (±2,2%)

3% (±0,9%)

2% (±0,4%)

Não sei/Prefiro não responder

1% (±0,4%)

3% (±2,1%)

1% (±0,5%)

2% (±1,5%)

3% (±1,6%)

2% (±0,6%)

Total

100%

100%

100%

100%

100%

100%

Amostra Observada

4.449

4.665

5.219

3.921

3.554

21.808

Amostra Ponderada

5.807

4.357

4.030

3.208

4.406

21.809

População Estimada

45.225.323

33.929.598

31.386.569

24.982.770

34.315.924

169.840.184

Fonte: Instituto de Pesquisa DataSenado - coleta de 5 a 28.6.2024.
Notas:
(1) Soma dos percentuais difere de 100% devido ao arredondamento.
(2) Diferenças entre totais estimados, para o Brasil, ocorrem devido ao arredondamento.

2.5 Há poucos contrastes raciais entre as maiores preocupações

Na comparação entre a população “Branca/Amarela” e a população “Preta/Parda/Indígena” nota-se diferença, consideradas as margens de erro, em apenas duas principais preocupações: “Corrupção, de 19% para 14%, e “Emprego”, de 8% para 11%.

Tabela 76: "Qual a sua maior preocupação hoje?" por cor/raça - Brasil - 2024

Estimativa (± margem de erro)

Branca/Amarela

Preta/Parda/Indígena

Brasil

Saúde

27% (±2,2%)

30% (±1,7%)

29% (±1,3%)

Custo de vida

16% (±1,8%)

16% (±1,5%)

16% (±1,2%)

Corrupção

19% (±2,1%)

14% (±1,1%)

16% (±1,1%)

Segurança pública

15% (±1,9%)

15% (±1,3%)

15% (±1,1%)

Educação

10% (±1,6%)

10% (±1,1%)

10% (±0,9%)

Emprego

8% (±1,3%)

11% (±1,4%)

10% (±1,0%)

Outro

2% (±0,6%)

2% (±0,6%)

2% (±0,4%)

Não sei/Prefiro não responder

3% (±1,3%)

1% (±0,3%)

2% (±0,6%)

Total

100%

100%

100%

Amostra Observada

7.498

14.310

21.808

Amostra Ponderada

9.486

12.322

21.809

População Estimada

73.876.004

95.964.180

169.840.184

Fonte: Instituto de Pesquisa DataSenado - coleta de 5 a 28.6.2024.
Notas:
(1) Soma dos percentuais difere de 100% devido ao arredondamento.
(2) Diferenças entre totais estimados, para o Brasil, ocorrem devido ao arredondamento.

2.5 Maior escolaridade reduz a preocupação com Saúde

No recorte por escolaridade, a preocupação com “Saúde” experimenta a maior diferenciação conforme o nível educacional, visto que é a maior preocupação para 39% daqueles com “até nível fundamental incompleto”, mas apenas 16% daqueles com “Ensino superior incompleto ou mais” dizem o mesmo.

“Custo de vida”, de forma inversa, é a maior preocupação para 21% daqueles com maior escolaridade, mas de apenas 12% daqueles com menor escolaridade, experimentando uma progressão gradual conforme o nível educacional.

“Corrupção” também experimenta uma leve progressão que apenas se mostra significativa, consideradas as margens de erro, no maior nível educacional, para 19%.

Na “Segurança pública” há descontinuidade na progressão, visto que 11% daqueles com “Ensino fundamental completo” apontam esta principal preocupação, valor abaixo dos demais níveis, enquanto 20% dos com maior nível educacional dizem o mesmo, valor acima dos demais níveis.

Em relação à principal preocupação com “Emprego”, apenas o nível “Ensino fundamental completo” está acima dos demais, para 14% das pessoas deste nível. Curiosamente, “Educação” é a única principal preocupação sem diferenciação significativa entre os níveis de escolaridade.

Tabela 77: "Qual a sua maior preocupação hoje?" por escolaridade - Brasil - 2024

Estimativa (± margem de erro)

Até ensino fundamental incompleto

Ensino fundamental completo

Ensino médio completo

Ensino superior incompleto ou mais

Brasil

Saúde

39% (±3,2%)

30% (±2,9%)

29% (±2,6%)

16% (±1,7%)

29% (±1,3%)

Custo de vida

12% (±1,9%)

15% (±2,8%)

17% (±2,4%)

21% (±2,2%)

16% (±1,2%)

Corrupção

14% (±2,5%)

14% (±2,2%)

17% (±2,1%)

19% (±1,9%)

16% (±1,1%)

Segurança pública

15% (±2,6%)

11% (±2,1%)

14% (±1,8%)

20% (±2,3%)

15% (±1,1%)

Educação

8% (±2,1%)

12% (±2,7%)

9% (±1,3%)

11% (±1,6%)

10% (±0,9%)

Emprego

9% (±1,8%)

14% (±2,4%)

9% (±1,9%)

9% (±1,8%)

10% (±1,0%)

Outro

2% (±0,7%)

2% (±1,1%)

2% (±1,0%)

2% (±0,6%)

2% (±0,4%)

Não sei/Prefiro não responder

2% (±0,6%)

2% (±1,1%)

2% (±1,2%)

2% (±1,6%)

2% (±0,6%)

Total

100%

100%

100%

100%

100%

Amostra Observada

3.903

4.015

6.591

7.299

21.808

Amostra Ponderada

6.149

3.446

7.112

5.101

21.809

População Estimada

47.889.132

26.836.339

55.390.681

39.724.032

169.840.184

Fonte: Instituto de Pesquisa DataSenado - coleta de 5 a 28.6.2024.
Notas:
(1) Soma dos percentuais difere de 100% devido ao arredondamento.
(2) Diferenças entre totais estimados, para o Brasil, ocorrem devido ao arredondamento.

2.6 Maior renda reduz a preocupação com a Saúde

A “Saúde” experimenta a maior diferenciação conforme a faixa de renda familiar, visto que é a maior preocupação para 34% daqueles com renda de “até 2 salários mínimos”, mas de apenas 15% daqueles com renda superior a seis (6) salários mínimos.

Tabela 78: "Qual a sua maior preocupação hoje?" por renda familiar em salários mínimos - Brasil - 2024

Estimativa (± margem de erro)

Até 2 salários mínimos

Entre 2 e 6 salários mínimos

Mais de 6 salários mínimos

Brasil

Saúde

34% (±2,0%)

22% (±2,6%)

15% (±3,1%)

29% (±1,3%)

Corrupção

13% (±1,6%)

20% (±2,2%)

23% (±4,1%)

16% (±1,1%)

Custo de vida

15% (±1,6%)

18% (±2,1%)

20% (±4,0%)

16% (±1,2%)

Segurança pública

13% (±1,3%)

18% (±2,5%)

22% (±3,7%)

15% (±1,1%)

Emprego

12% (±1,4%)

9% (±2,1%)

6% (±2,1%)

10% (±1,0%)

Educação

9% (±1,4%)

10% (±1,4%)

12% (±3,4%)

10% (±0,9%)

Outro

2% (±0,7%)

2% (±0,8%)

2% (±0,9%)

2% (±0,4%)

Não sei/Prefiro não responder

2% (±0,7%)

2% (±1,0%)

1% (±0,4%)

2% (±0,6%)

Total

100%

100%

100%

100%

Amostra Observada

10.675

6.165

2.756

21.808

Amostra Ponderada

10.695

6.092

2.322

21.809

População Estimada

83.292.831

47.441.944

18.086.146

169.840.184

Fonte: Instituto de Pesquisa DataSenado - coleta de 5 a 28.6.2024.
Notas:
(1) Soma dos percentuais difere de 100% devido ao arredondamento.
(2) Diferenças entre totais estimados, para o Brasil, ocorrem devido ao arredondamento.
(3) A coluna 'Brasil' inclui quem respondeu 'Não sei/Prefiro não responder'.

2.7 Incidência da dengue no Brasil

13% dos brasileiros afirmam ter tido dengue nos últimos 12 meses, período no qual o Brasil viveu uma epidemia da doença. 5% relatam suspeitar terem tido a doença.

Gráfico 7

Gráfico 8

3. Violência urbana e vivências pessoais

Neste bloco foram investigados quais os principais problemas de segurança pública, bem como de quais formas a população têm vivenciado o fenômeno da violência urbana nos últimos 12 meses.

3.1 Tráfico e uso de drogas é o maior problema de segurança nas cidades brasileiras

Quando questionados sobre qual o principal problema relacionado à segurança pública na cidade onde residem, “tráfico e uso de drogas” (37%) e “roubos e assaltos” (30%) figuram entre as respostas mais frequentes.

Gráfico 9

Quase metade da população mineira e paranaense aponta “tráfico e uso de drogas” como principal problema de segurança pública (49% e 48%, respectivamente). Em contrapartida, menos de ¼ dos cariocas e cearenses compartilham desta opinião (22% e 24%, respectivamente).

Gráfico 10

Para mais de 40% da população do Distrito Federal e de São Paulo, o principal problema de segurança pública são os “roubos e assaltos” (44% e 42%, respectivamente). Estes percentuais caem para menos de 1/5 da população nos estados do Mato Grosso e do Acre (17% e 19%, respectivamente).

Gráfico 11

O estado no qual o principal problema de segurança pública, na própria cidade onde seus moradores residem, é o “crime organizado”, é o Acre (32%). Considerando a margem de erro, apenas Mato Grosso se equipara a tamanha preocupação (24%). Em três (3) estados, apenas 5% ou menos da população compartilham da mesma opinião: Minas Gerais (3%), Sergipe (3%) e Goiás (5%).

Gráfico 12

Considerando a margem de erro, nenhum estado se diferencia da média brasileira (7%), quando se trata de afirmar que “crimes com armas de fogo” são o principal problema de segurança pública na cidade onde residem. Contudo, as maiores estimativas médias estão em alguns estados do Norte e do Nordeste, além do Distrito Federal, nesta ordem: Paraíba e Alagoas (ambas com 12%); Amapá e Ceará (11%); e Maranhã e Distrito Federal (10%). Santa Catarina, por sua vez, é o único estado no qual este percentual encontra-se abaixo da média nacional, mesmo considerando a margem de erro (4%).

Gráfico 13

Por fim, quando se trata de afirmar que a “presença de milícias” é o principal problema de segurança pública, dois (2) estados despontam com percentuais acima da média nacional (3%), mesmo considerando a margem de erro: Rio de Janeiro (11%); e Mato Grosso (7%). O único estado no qual este percentual figura abaixo da média nacional, mesmo considerando a margem de erro, é o estado de Santa Catarina (1%).

Gráfico 14

3.2 Vivências pessoais com a violência urbana

Quando questionados se já sofreram violências, dentre alguns tipos selecionados, 14% respondem já terem sido roubados ou assaltados, 12% tiveram seus bens materiais destruídos por outras pessoas, 6% referem terem sido vítimas de assédio sexual, e 5% relatam terem sido agredidos fisicamente.

Gráfico 15

3.3 Diferenças regionais entre as principais preocupações

A seguir, são apresentados os comparativos regionais e estaduais para cada uma das preocupações dos brasileiros, ordenados pelas proporções nacionais Gráfico 4 .

A análise destes dados revela diferenças de percepção, quanto às principais preocupações do brasileiro, entre as cinco (5) macrorregiões e entre os estados e o Distrito Federal. Assim, ao considerar as margens de erro, é possível destacar quais localidades se afastam da respectiva média nacional em cada dimensão.

Neste recorte regional, a preocupação com a “Educação” é a mais uniformemente distribuída, visto que nenhuma região Gráfico 10 ou unidade federativa Gráfico 11 se afasta da média nacional, consideradas as margens de erro.

A “Saúde” é a segunda preocupação mais uniforme, visto que nenhuma região Gráfico 16 se afasta da média nacional, e apenas Sergipe ( Gráfico 17 supera a proporção nacional. Dado que a “Saúde” é a maior preocupação nacional Gráfico 4 , se trata de tema relevante a ser endereçado por todos os estados e o Distrito Federal.

O “Custo de vida” é a terceira preocupação mais uniforme, visto que apenas o Nordeste Gráfico 18 está abaixo da média nacional, bem como, em nível estadual Gráfico 19 , apenas Maranhão e Piauí também estão abaixo, consideradas as margens de erro.

Em seguida, a preocupação com a “Corrupção” começa a revelar uma maior diferenciação uma vez que, a nível estadual Gráfico 21 , Santa Catarina supera a média nacional enquanto Ceará e Bahia ficam abaixo. Entre as regiões Gráfico 20 , apenas o Nordeste fica abaixo da média nacional.

O “Emprego” é a segunda preocupação mais diferenciada regionalmente Gráfico 26 , visto que a região Norte está acima da média nacional enquanto Sul e Centro-Oeste estão abaixo. No nível estadual Gráfico 27 , Acre e Amapá estão acima da média nacional enquanto Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso estão abaixo.

Por fim, a “Segurança pública” apresenta a maior diferença de percepção entre os estados e o Distrito Federal Gráfico 24 , visto que Rio de Janeiro e Ceará estão acima da média nacional enquanto Amapá, Sergipe, Santa Catarina, Rondônia, Alagoas, Roraima, Goiás e Distrito Federal estão abaixo. No comparativo regional Gráfico 23 , as regiões Sul e Centro-Oeste estão abaixo da estimativa nacional.

Cabe alertar que estar abaixo da estimativa nacional não implica que aquela preocupação não esteja presente de forma importante em uma localidade, pois, pode ser o caso de haver outras preocupações mais relevantes percebidas pelos entrevistados, visto que foi solicitado que indicassem apenas a principal preocupação.

Desta forma, a análise a seguir complementa com a análise do perfil dos grupos populacionais que manifestam cada uma das preocupações como a sua principal.

Gráfico 16

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Gráfico 18

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Perfil da população de pessoas com 16 anos ou mais

As amostras do DataSenado são proporcionais e representativas da população brasileira. Desta forma, para esta pesquisa, este é o perfil da população brasileira com 16 anos ou mais:

Gráfico 28

Gráfico 29

Gráfico 30

Gráfico 31

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Gráfico 33

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Gráfico 36

Gráfico 37

Método da pesquisa

A pesquisa teve como população-alvo cidadãos de 16 anos ou mais, residentes no Brasil. Os participantes foram selecionadas por meio de Amostragem Aleatória Estratificada 1 por unidade da Federação (UF). Os estratos foram definidos como sendo os 26 estados e o Distrito Federal. A alocação foi uniforme por estrato. A amostra total foi composta por 21.870 entrevistas, com cerca de 810 em cada estrato (ver distribuição no Anexo 1 do relatório completo).

A coleta de dados foi feita por meio de entrevistas telefônicas via CATI ( Computer Assisted Telephone Interviewing ). Nesse método, o entrevistador segue um roteiro que é disponibilizado em computador e composto por questionário estruturado, com questões objetivas e orientações para a condução da entrevista. Essa estrutura visa eliminar possíveis vieses, bem como maximizar a aderência dos cidadãos contatados à pesquisa. A duração média das entrevistas foi de 13 minutos.

Os números de telefone usados nas discagens foram selecionados aleatoriamente, respeitando o delineamento amostral a partir de cadastro de números habilitáveis disponibilizado pela Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel. As quantidades de números fixos e móveis sorteados na amostra foram estabelecidas de forma a garantir que, por estrato, a probabilidade de sorteio de qualquer número fosse a mesma, independente de se tratar de telefone fixo ou móvel.

Para compor a amostra, foram realizadas ligações telefônicas para todo o país. Atendido o telefone e, após verificar se o entrevistado pertencia à população-alvo, o entrevistador solicitava autorização para realizar a pesquisa.

Foram auditadas 20,68% das entrevistas, verificando itens como cordialidade, leitura fluente, marcação correta das respostas, não direcionamento das respostas, dentre outros aspectos de qualidade e imparcialidade durante a aplicação da pesquisa.

No cômputo dos resultados, foi aplicada técnica de análises de pesquisas com amostras complexas, que leva em conta três aspectos: taxas de respostas, probabilidades de seleção dos entrevistados e características sociodemográficas da população-alvo. Estes aspectos foram considerados na ponderação por meio do cálculo de três fatores, que, juntos, resultaram em peso amostral que permite obter estimativas para a população-alvo da pesquisa.

As estimativas das taxas de respostas, calculadas por estrato e tipo de telefonia, foram obtidas de forma equivalente à Response Rate 1 (RR1) da American Association for Public Opinion Research (AAPOR, 2023, p. 85-86), a partir dos metadados das discagens telefônicas, coletados no decorrer da pesquisa.

A probabilidade de seleção dos entrevistados foi calculada com base na quantidade de pessoas que compartilhavam cada uma dessas linhas e no total de linhas habilitadas alcançadas na pesquisa em relação ao total de linhas habilitadas no Brasil por UF, segundo as estatísticas mais recentes da Anatel.

Nos resultados nacionais, os pesos foram ajustados para refletirem a proporção da população por estrato, segundo as seguintes características sociodemográficas: sexo, raça/cor, idade, situação do domicílio (rural ou urbana), porte do município, condição de ocupação e escolaridade. Para tanto, foi utilizado o método rake , considerando:

  1. para as informações de sexo, raça/cor, idade, situação do domicílio, condição de ocupação e escolaridade: a distribuição da população brasileira de pessoas com 16 anos ou mais, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do 1º semestre de 2024;
  2. porte do município: a divisão, segundo os dados do Censo Populacional 2022, em três categorias: até 50.000 habitantes, de 50.001 a 500.000 habitantes e mais de 500.000 habitantes.

Quanto às margens de erro da pesquisa, o uso do método acima permitiu calcular a margem de erro de cada uma das milhares de estimativas divulgadas no relatório. O nível de confiança utilizado nesses cálculos foi de 95%. Dessa forma, não existe uma única margem de erro para toda a pesquisa. Não obstante, considerando todas as estimativas para tabelas simples, sem cruzamentos, tem-se que, em média, a margem de erro observada foi de 1,22 pontos percentuais, com desvio padrão de 1,37 p.p..

Os percentuais foram arredondados seguindo o seguinte critério: para números com decimal menor que 0,5, foi mantida a parte inteira; e para números com decimal maior ou igual a 0,5, adicionou-se uma unidade à parte inteira do número. O uso desse método de arredondamento faz com que, em alguns casos, a soma dos percentuais de gráficos e de algumas colunas das tabelas seja diferente de 100%, para mais ou para menos, sem que isso implique em erro de cálculo.

Footnotes

  1. Delineamento amostral que ‘consiste na divisão de uma população em grupos (chamados estratos) segundo alguma(s) característica(s) conhecida(s) na população sob estudo, e de cada um desses estratos são selecionada amostras em proporções convenientes’ (BOLFARINE e BUSSAB, 2005, p. 93). ↩︎