Governistas se articulam e acusam oposição de golp

DENISE MADUEÑO
da Sucursal de Brasília
O governo montou um movimento para tentar neutralizar o impacto da "Marcha dos 100 Mil" a Brasília, promovida pela oposição e engrossada por sem-terra e marcada para a próxima semana. O porta-voz da operação governista foi o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). Em tom de ameaça, o deputado tucano classificou o movimento de "golpista" e afirmou que "não assistiremos pacificamente a desordem". O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou que o discurso da oposição pedindo a saída do presidente Fernando Henrique Cardoso é um desrespeito às instituições. "Manifestação como essa se perde na inoportunidade. Não se respeitam as instituições. É apenas para fazer onda contra o presidente", afirmou. "Nós reagiremos com a mesma violência com que vierem os ataques. Não estamos defendendo o presidente propriamente, mas a democracia. O movimento se transformou na busca da quebra institucional com o pedido de renúncia", disse Aécio. "Há o interesse da esquerda de desgastar o governo e há o interesse de muitos ruralistas de não pagar o que devem. Não vejo espírito público em nada disso. Estão fazendo pouco do Brasil", afirmou ACM. Governistas estão irritados com o que consideram uma disputa entre entidades para ver quem publica a pesquisa com piores índices de popularidade de FHC. O líder do PC do B, Aldo Rebelo (SP), reagiu: "Isso é histeria e desespero de um governo que percebeu que não tem mais saída". Rebelo afirmou que o movimento é pacífico. "Querem dar uma conotação à marcha que ela não tem." O comando do movimento de oposição se reuniu na quarta-feira passada com o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, e com o secretário da Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Castelo Branco, para tratar da manifestação. O governo do DF vai ajudar na infra-estrutura do megaevento que pretende trazer cerca de 100 mil pessoas a Brasília. A oposição recolheu 1 milhão de assinaturas no abaixo-assinado que será entregue ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), no dia da marcha, pedindo a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a privatização do Sistema Telebrás. O movimento pede também a abertura de processo contra FHC por crime de responsabilidade. A abertura de processo é o primeiro passo para o impeachment. A base para o pedido é a conversa telefônica gravada entre FHC e o então presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), André Lara Resende, publicada pela Folha em maio passado. No diálogo, FHC autoriza Lara Resende a usar o seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil a entrar em um dos consórcios participantes do leilão de privatização do Sistema Telebrás.